sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

REPENSAR O ENSINO DA HISTÓRIA

ODEMAR LEOTTI Eu diria que me fizeram acreditar que as coisas se davam mesmo no passado. Aos poucos fui vendo suas fabricações se dando em outras épocas, em outras camadas “geomorfológicas” da produção de sentidos sobre o passado. Eram relatos que em sua inocência pareciam com um ramado de flores, ao serem trilhados porém causavam a vertigem da queda em um poço abandonado. Agora ao tentar ler sobre algum autor fico sem muitas armas, pois ele está falando de um passado tão distante dele que de forma tão paradoxal é ao mesmo tempo, tão próximo das práticas sociais de seu tempo. A dificuldade maior está em discernir esses dois tempos, ou melhor, esses dois espaços: o do passado e o momento em que se arquitetam a invenção desse passado. Os manuais que são enviados para a apreciação dos professores do ensino fundamental e médio, na maioria das vezes não colocam à vista de professores e alunos o lugar filosófico de sua produção. Chega como conteúdo e é imposto pela ementa de forma rígida pelos órgãos governamentais e muitas vezes submissamente obedecido de tal forma que passa a ser praticado como subserviência intelectual inconsciente de nossas instituições, quando faz com que o mundo abstrato predomine sobre o mundo empírico e mantenha um jogo destruidor da vida. Não haverá de ser crença a existência de um empirismo puro nem abstrações distancias das práticas cotidianas. Há sim a necessidade de transcendência, porém de forma que se baste ao seu momento na feitura do novo num tempo eterno e que retoma-se em novas eternidades. Porém não pode ser ajustada a um tempo moderno que transforma caminhos onde a vida se dá no percurso, como ambiente propício à experiência como forma de transformação. A modernidade transformou caminhos e percursos em meras estradas com origem e finalidade onde o percurso é vigiado de forma a não se conduzir para estradas vicinais. Transforma-se com isso as eternidades dos instantes em falta de foco no sentido final e estradas vicinais em desvios considerados como erros de percurso. O ensino de história em sua situação acadêmica igualmente em quase todos os estabelecimentos não conseguem ultrapassar esse espaço de poder que chega as instituições de ensino superior através das ementas. Essas são defendidas e muitas vezes aparecem nas reuniões de colegiados como reprimenda para sua aplicação. Assim, ao ser escamoteado a filosofia da história que está implícito no texto, os graduandos formam-se sem esse discernimento do conteúdo que lhe é apresentado pelo curso. Ao começar a trabalhar fica sem esse estranhamento do que é passado e do que é história e conseqüentemente de que o que é considerado como fato histórico nada mais é que produto de interpretação. Positivado passa a se configurar como sendo verdade e que acaba por silenciar as rupturas e suas descontinuidades. Assim a totalidade fica sendo o objetivo maior da história e as diferenças submetidas a uma narrativa ligada à filosofia da história.

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